Conhecendo o Paraguai (Assunção e Encarnácion) e a tríplice fronteira (Cataratas, Puerto Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ciudad del este)

Quem nunca ouviu estórias e causos sobre o Paraguai daqueles que já se aventuraram até a a fronteira para fazer umas comprinhas? Porém, apesar das famosas compras no Paraguai, nosso pequeno vizinho quase nunca é lembrando quando se trata de fazer turismo, sendo visitado pelos brasileiros, quase sempre, apenas na região adjacente a fronteira para comprar eletrônicos ou outras muambas pela metade do preço que pagamos por aqui. Mas o Paraguai é muito mais que isso e, apesar de pequeno, oferece muitas atrações.

Com esse pensamento e no intuito de viajar barato, me aventurei Paraguai adentro, indo desde a fronteira com o Brasil na cidade de Ponta Porã no Mato Grosso do Sul, até a Capital Assunção e de lá até a fronteira com a Argentina, por onde “cortei caminho” e fui parar na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai, conhecendo as Cataratas do Iguaçu e demais atrativos de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu e Ciudad del Este. O que vi e vivi por lá vou contar nesse relato!

Bandeiras do Paraguai em Assunção

O Planejamento

Como moro em Campo Grande, a 300 quilômetros da fronteira do Brasil com o Paraguai, precisamente com a cidade de Pedro Juan Caballero, depois de pesquisar na internet e achar pouca informação a respeito desse país onde poucos brasileiros vão além de suas fronteiras, resolvi dar uma esticada até Assunção, capital do país e de lá até às cataratas do Iguaçu. O roteiro encaixou direitinho nos meus 10 dias de férias e no baixo orçamento  disponível na época para a viagem.

Viajei sozinho, foi uma boa experiência. Conversei bastante com paraguaios, argentinos e gringos de diversas nacionalidades. Deu pra treinar o espanhol e o inglês também.

A minha rota foi a seguinte: Campo Grande – Assunção/PY – Encarnación/PY – Posadas/AR – Puerto Iguazu/AR – Foz do Iguaçu – Ciudad del Este/PY – Foz do Iguaçu – Belo Horizonte

O total gasto foi de R$592, contando a passagem de ônibus de Campo Grande para Assunção e demais viagens de ônibus, mais R$120,00 do voo de Foz do Iguaçu para Belo Horizonte, onde terminei minha viagem visitando a família.

Então vamos ao relato!

Como ir para Assunção no Paraguai

10/03/2011 – Campo Grande/MS x Assunção/PY

De Campo Grande para Assunção há duas opções de empresas de ônibus: Nacional Expresso e Cometa del Amambay. A primeira tem saídas três vezes por semana em ônibus um pouco mais confortáveis que a segunda com passagem por R$132,37 (atualizado em set/2014). Os ônibus da Cometa del Amambay (67-33218797) partem de Campo Grande todos os dias às 16h e a passagem custa R$117,00 (valor jan/2017), o ônibus possui ar condicionado, porém as poltronas reclinam bem pouco (talvez já tenham melhorado a frota). Como no dia que planejei para ser o início da minha viagem não havia partida da Nacional Expresso, acabei tendo que encarar o ônibus da Cometa del Amambay. A empresa é paraguaia, o ônibus tem placas do Paraguai e o motorista e o cobrador são paraguaios. Vai de Campo Grande para Assunção com paradas em Dourados e Ponta Porã. Por volta das 20 horas o ônibus para na Policia Federal brasileira em Ponta Porã para que os estrangeiros possam registrar a saída do Brasil em seus passaportes. Cinco minutos depois, na rodoviária de Pedro Juan Caballero, já no Paraguai, o motorista recolhe os passaportes e identidade dos brasileiros e passa para alguém, não me perguntem quem, para que seja feito o processo de entrada no Paraguai. Muitos paraguaios sobem no ônibus nessa cidade e quando o embarque acaba o motorista retorna com o documento de entrada no Paraguai. Daí por diante o motorista para para qualquer um que dê sinal na rodovia, chegando a transportar pessoas em pé. Normalmente eles sobem e logo descem, o que, aliado a poltrona desconfortável, me impediu quase que totalmente de dormir. Não há parada para lanches ou janta. O ônibus tem banheiro e água mineral.

Conhecendo Assunção

11/03/2011 – Assunção/PY

Chegamos em Assunção cerca de 05h da manhã, horário local. Ainda estava escuro e resolvi esperar amanhecer. Existem diversos guichês de câmbio abertos 24 horas no terminal. Troquei U$10 por G$42000 e R$20 por R$48000. Comprei uma chipa por G$3000 e fiquei vendo TV até amanhecer. Aqui no Mato Grosso do Sul há muita influência da cultura paraguaia. Comemos chipa, que é parecida com o pão de queijo, mas com formato e sabor diferentes. Comemos também a sopa paraguaia, que não é uma sopa, mas algo parecido com uma torta de milho e tomamos o tereré, um mate parecido com o chimarrão mas que se toma com água gelada. A chipa sul matogrossense é ligeiramente diferente da original paraguaia, gostei da de lá, mas prefiro a daqui!
Assim que amanheceu fui para o ponto de ônibus. Foi a primeira grande diferente que vi entre o Paraguai e o Brasil. Os ônibus são todos velhos. Não tão velhos quanto os da Bolívia, mas bem velhos. As portas ficam sempre abertas e os motoristas praticamente não param para você subir, apenas diminuem a velocidade e você tem que se agarrar e subir. Para descer é a mesma coisa. Acho que somente para pessoas de idade e quando há muitos passageiros eles param totalmente. Outra diferença é que não há cobrador nem catraca. Você sobe, dá o dinheiro para o motorista e ele te dá um comprovante que vale como recibo. Existem alguns fiscais que sobem nos ônibus e te pedem esse comprovante. Se você não guardá-lo e ocorrer a fiscalização, terá que pagar a passagem novamente.
Demorou um pouco para passar um ônibus que não estivesse tão cheio, já que com a mochila era impossível pegar um lotado. Pedi ao motorista que me avisasse quando chegasse a Plaza Uruguaya, referência de localização do hotel que fiquei hospedado. Após algum tempo percebi que passávamos pelo centro, mas nada dele me dizer algo. As pessoas foram descendo até ficar apenas eu no ônibus, então perguntei para ele se já estava chegando. Então ele disse que já havia passado. Pedi para ele parar e perguntei qual ônibus devia pegar. Ele indicou a linha 12, diminuiu a velocidade e eu desci. Eu não sei se ele fez de sacanagem ou se tinha alguma outra intenção. Sei que não foi esquecimento, já que fiquei ao lado dele todo o tempo e ele me olhava sempre pelo retrovisor. Bom, tomei a linha 12 e pedi para o motorista me avisar. Dessa vez e em todas as outras que tomei ônibus no Paraguai não tive problemas. Chegando próximo a Plaza Uruguaya ele me avisou e indicou qual rua pegar para chegar lá.
Logo achei o Hotel e subi para tentar fazer logo o check in. Eram cerca de oito da manhã e a diária só começava a contar ao meio dia, mas me deixaram entrar sem problemas, já que o quarto já estava vazio. Aproveitei para dormir, já que não conseguir dormir bem na viagem. Dormi até meio dia.

Depois de descansar, tomei um banho e fui conhecer um pouco do centro e almoçar. A primeira impressão da cidade foi boa. Achei tudo muito parecido com o Brasil, claro que com algumas particularidades. Um dessas particularidades é que lá praticamente nenhum motoqueiro usa capacete, incluindo os policiais. Apesar disso achei o trânsito tranquilo. Almocei em um restaurante Self-Service, porém com uma metodologia diferente da daqui. Como não era com balança, você diz o que vai comer e o preço é dado de acordo com suas opções. Se vai comer só salada e carne o preço é um, se vai comer salada carne e massas é outro, se vai comer arroz é outro, etc. O meu almoço, já com um refrigerante ficou em G$13000, cerca de R$5,40.
Fui até uma agência do Banco Itaú sacar dinheiro. O banco Itaú é o maior banco no Paraguai. Tem agência para todo lado. Saquei dinheiro sem problemas, só tive que pagar uma taxa de R$9,00.
Fui ao Turista Róga, um órgão de informações turísticas. Lá é possível obter mapas e informações sobre as atrações de Assunção e de todo o Paraguai. Lá também é possível utilizar a internet de graça. Peguei um mapa da área central e fui conhecer os pontos turísticos indicados. Como não são muitos e estão todos em um raio não muito grande, é possível conhecê-los todos em uma tarde. Estava um calor insuportável, quase 40ºC. Andei bastante, tirei várias fotos. Conheci desde prédios históricos até o Palácio do Governo e Congresso Nacional. Esses somente por fora. Interessante é que bem de frente ao Congresso, às margens do Rio Paraguai, existe uma favela.
Vi alguns outros estrangeiros andando tranquilamente pelo centro de Assunção, alguns com câmeras caras nas mãos. Não fui incomodado nenhum vez. Nem mesmo esmola me pediram. Alias, isso não ocorreu em nenhum dos lugares que visitei no Paraguai. Realmente a visão que temos sobre este país é totalmente errada. É um país muito bonito, com gente honesta e trabalhadora. Tem sim os seus problemas. Mas como dizem por lá, são os brasileiros que vão lá plantar e comprar maconha. Dizem até que os assaltantes que existem por lá são brasileiros. Não sei se isso é verdade, mas a impressão que tive do povo paraguaio, ao menos das cidades que visitei, foi de um povo simpático, educado e que busca a construção de um país melhor.

A noite fui conhecer um shopping que existe na região central de Assunção. Não é muito grande. Aproveitei para lanchar no Burguer King pagando R$8,75 por um combo que no Brasil não sai por menos de R$20,00. Depois conheci alguns bares próximo ao hotel, nas Calles Azara e Cerro Cora. São muitas opções dos mais variados estilos. Porém todos estavam com pouco movimento e nenhum me chamou muita atenção, ainda mais estando sozinho e tendo a língua como empecilho. O problema é que a maioria dos paraguaios se comunicam através do guarani. Como falo espanhol, quando eu puxava papo, muitos me respondiam em guarani e eu não entendia nada. Percebi também que normalmente se comunicam em guarani, quando falam espanhol, falam com um sotaque muito carregado, dificultando o entendimento. O guarani lá é considerada língua oficial e é ensinado nas escolas.

12/03/2011 – Assunção/PY

Acordei às 08 horas e fui tomar café da manhã no hotel. Depois do desayuno resolvi dormir um pouco mais. Acordei meio dia, tomei banho e fui conhecer a região onde ficam os melhores shoppings de Assunção. Tomei um ônibus que logo pegou a Avenida España. É uma região muito bonita, muitas mansões, muitos prédios novos, muitos carrões, muitas Mercedes. Alías, Mercedes é o que mais tem em Assunção, muitas bem velhas, mas muitas novas também, assim como muitas BMWs e outros carros importados. Percebi também que muitas mansões não tem muro. Nas avenidas España e Mariscal López existem muitos bares. Acho que é onde a noite é mais agitada. Não deu para tirar muitas fotos dessa região, mas é uma região bem moderna e bonita.

Desci no Shopping do Sol. O shopping é grande e bonito e possui várias lojas de grifes famosas. Liguei para um amigo do site Couchsurfing que mora lá perto. Marcamos de nos encontrar e ele almoçou comigo. Almocei em outro restaurante Self-Service, mas nesse a metodologia era outra. Como era por peso, cada tipo de comida tem um peso. Você pega vários pratos e coloca cada tipo em um e pesa um por um. A salada tem um peso, as guarnições outro, a carne outro e a massa outro. Achei interessante, fora o fato de ficar com a bandeja cheia de pratos. O almoço com um refrigerante ficou em G$21000.
Meu amigo paraguaio é uma pessoa muito interessante. Bastante inteligente e culto. Sempre encontra com estrangeiros que visitam seu país, muitas vezes os hospedando. Depois de almoçar ele me levou até a sua casa onde conheci sua família, que também são pessoas muito simpáticas. Ficamos conversando por algumas horas, fui ao mercado com eles e lanchei em sua casa. Deu para aprender um pouco sobre a cultura paraguaia, leis, salários, etc. Percebi que eles sabem muito mais sobre o Brasil do que nós sabemos sobre o Paraguai. Tomamos tereré, a única diferença é que aqui uma pessoa serve a todos e lá cada um se serve, apesar de, como aqui, compartilharem a cuia.
De lá tomei um ônibus para o outro shopping da região, o Mariscal López, maior que o primeiro e muito movimentado. Em frente a ele existe um shopping menor. Fiquei por lá até por volta das 18h quando voltei para o hotel.
Meus planos inicialmente eram ficar mais mais um dia em Assunção. Como seria domingo e todos me disseram que domingo não há nada para fazer em Assunção, tudo fecha, resolvi adiantar minha viagem e partir aquela noite mesmo para Encarnación, onde visitaria as ruínas Jesuítas.
Paguei o Hotel, peguei minhas coisas e peguei outro ônibus para o terminal.
Existem diversas opções de ônibus, desde G$40000 até G$66000. No Paraguai eles não fazem como na Bolívia, dizendo que o ônibus é ótimo, mas na verdade é péssimo. Na empresa onde a passagem custava G$40000 o atendente me disse que o ônibus era comum e era “pinga-pinga”, já na de G$66000 que o ônibus era semi-cama, dois andares e direto. Escolhi a segunda. O ônibus realmente era muito bom, escolhi o andar inferior. Nessa noite consegui dormir toda a viagem. Só acordei quando chegamos em Encanación, às 05:30h.

Conhecendo Encarnación no Paraguai

13/03/2011 – Encarnación/Posadas/Puerto Iguazu

Cheguei 05:30h da manhã no terminal de Encarnación. Na porta do ônibus um paraguaio já anunciava ônibus para Trinidad. O ônibus partia às 06h e custava G$6000. Perguntei onde havia um Guarda Equipaje e deixei minha mochila lá por G$5000. O ônibus saiu do terminal às 06h, porém só foi sair da cidade já quase sete da manhã, quando alguns passageiros começaram a reclamar. É que o motorista ficou rodando a cidade, enquanto o cobrador ia em busca de mais passageiros. Só saiu mesmo quando estava com a lotação completa.

Às 07:30h o motorista parou e avisou que ali era a entrada para as ruínas. Peça ao motorista para descer nas ruínas da Santísima Trinidad del Paraná, diga que não conhece. Da rodovia basta andar uns 800 metros. O ingresso custou GR25000 e deu direito a visitar também as ruínas de Jesús de Tavarangüé, próximo dali e mais uma mais longe. Existe um centro de apoio ao vistante com banheiros. Também um hotel, restaurantes e lanchonetes.
Fui o primeiro a chegar naquele dia. Ainda havia neblina, que logo sumiu quando o sol começou a brilhar mais forte. As ruínas são realmente muito lindas e estão bem preservadas. O lugar também é muito bonito e é possível sentir uma sensação de paz. Todo chão é coberto por uma grama bem bonita. Fiquei mais ou menos uma hora ali contemplando e tirando fotos. Quando estava saindo chegou um ônibus lotado de turistas da terceira idade.

Para chegar a Jesús de Tavarangüé, basta voltar até a rodovia e subir mais 200 metros. Um taxista fica por lá esperando turistas ou moradores. Paguei G$30000 para que ele me levasse até as ruínas, esperasse 30 minutos e trouxesse de volta até a rodovia. Se eu esperasse chegar mais alguém ficaria mais barato. Resolvi não esperar e pagar os 30 mil guaranis. São 12 km até lá em estrada asfaltada. Em Jesus está a igreja mais conservadas das ruínas jesuítas. Como ela estava inacabada quando os jesuítas foram expulsos pelos espanhóis, ela não foi saqueada, já que não havia ouro nem obras de arte em seu interior. Realmente muito bonita. Vale a pena a visita.

De volta ao ponto de ônibus me informaram que de hora em hora passava ônibus para Encarnación. Entretanto, logo veio um ônibus com os moradores da região que me cobraram G$5000 pela viagem até Encarnación. Assim que cheguei na cidade, peguei minha mochila e vi do outro lado da rua, parado no ponto, o ônibus que ia para Posadas na Argentina. Encarnación fica na fronteira com a Argentina. Posadas é a cidade do lado argentino. Resolvi embarcar e em poucos minutos paramos na imigração paraguaia e um funcionário subiu no ônibus e recolhei as permissões. Logo em seguida paramos na imigração argentina e desci para fazer os procedimentos. O funcionário argentino me perguntou para onde ia e motivo da viagem. Achei ele um pouco implicante comigo. Todos já estavam retornando para o ônibus e ele enrolando para me dar a permissão. Quando ele enfim me autorizou entrar no país, o ônibus estava indo embora sem mim. Gritei e ele parou e consegui entrar. O rio Paraná divide o Paraguai da Argentina. A ponte que liga os dois países é muito bonita, assim como a cidade de Posadas.
Fui até o terminal para buscar informações a respeito das ruínas do lado Argentino e sobre os horários de ônibus para lá. Descobri que os ônibus que deixam em San Ignácio são os que vão para Puerto Iguazu. Peguei os horários para visitação noturna, lanchei e voltei para o centro. Era domingo. Tudo fechado, nenhum movimento. Procurei algum hotel, mas achei os preços muito altos. Resolvi voltar para o terminal e seguir logo para San Ignacio. Foi aí que me dei conta que ainda não havia feito cambio de Guaranis para Pesos. Em Posadas o guarani era aceito em todos os lugares, mas em San Ignacio eu não sabia se seriam. Não havia nenhuma casa de cambio aberta por ser domingo. Consegui trocar os guaranis que tinha com o cara da lanchonete e fui comprar a passagem para San Ignacio. Quando cheguei ao guichê me disseram que o ônibus estava saindo e que eu deveria pagar ao cobrador. Entrei no ônibus e quando ele veio me cobrar mudei de ideia mais uma vez e resolvi seguir direto para Puerto Iguazu. Estava muito cansado e meu plano era visitar às ruínas em San Ignacio durante a noite, ver os shows de luzes e seguir durante a madrugada para Puerto Iguazu ou dormir em San Ignacio e seguir no outro dia de manhã. Porém não queria passar mais uma noite dormindo em ônibus e não sabia se havia hotéis em San Ignacio e se aceitariam meus reais por lá. Então decidi ir logo para Puerto Iguazu, já que estava muito cansado.
O ônibus também era muito bom, dois andares com monitores de LCD para ver filmes. Vi Tropa de Elite 2 e depois dormi até chegar em Puerto Iguazu. São cinco horas de viagem e a passagem custou 55 pesos.

Chegando em Puerto Iguazu fui procurar o Hostel Che Lagarto, onde tinha reserva para duas noites, mas a partir da noite seguinte, porém conseguiram uma vaga já para aquela noite para mim.
Sai para conhecer a cidade. É uma cidade que vive do turismo. Os hotéis e hosteis ficam em um centrinho turístico, onde existem vários restaurantes e lojas de artesanato e lembranças.
O Hostel Che Lagarto tem uma boa infraestrutura. Piscina, sinuca, totó, pingue-pongue, internet, tudo de graça. Tem bar e servem janta também. Não gostei do banheiro, a ducha estava toda entupida, não tinha box e também molhava o banheiro todo ao tomar banho. O ar condicionado funcionava bem, porém só a partir das 22 horas. A diária saiu por meros U$7,20. Muitos estrangeiros, muita cerveja, churrasco e festa.

Conhecendo as Cataratas do Iguaçu

14/03/2011 – Cataratas lado argentino

Acordei às 06 horas, levantei, tomei banho e fui desayunar. O Café da manhã oferecido pelo Che Lagarto é bom. Há duas ou três opções de bolos, pão, manteiga, geleia, doce de leite, duas ou três variedades de frutas, biscoitos, dois sabores de sucos artificiais, leite, chocolate, café, dentre outras coisas. Pelo preço da diária achei ótimo. Bem próximo ao hotel, pega-se o ônibus de nome prático cataratas, que custou sete pesos. Cheguei no parque por volta das 08 horas. A entrada no parque das cataratas do lado argentino custava 70 pesos para pessoas do Mercosul. São três circuitos a percorrer: paseo inferior, paseo superior e garganta del diablo. Resolvi fazer primeiro o paseo inferior, já que iria fazer o passeio curto de bote até as cataratas. São alguns milhares de degraus, passando bem perto de algumas quedas até chegar a beira do Rio Iguaçu. O passeio curto de bote, de 12 minutos custou 110 pesos, mais ou menos 50 reais. O passeio equivalente do lado brasileiro custava R$120,00. O passeio é muito bom, chega-se bem embaixo de um das quedas. O ideal é ir com rouba de banho já é impossível não se molhar completamente. Adorei o passeio. Infelizmente, foi nesse mesmo passeio, houve um acidente uma semana depois e dois turistas americanos morreram. Acredito que acidentes podem ocorrer em qualquer lugar. Achei a empresa muito profissional, todos são obrigados a usar colete e um colete muito bom por sinal. Não é permitido ficar em pé, dentre outras regras de segurança. Eu faria de novo, mas realmente deu um friozinho na barriga quando vi a reportagem, já que havia feito o mesmo passeio dias antes.
Subi todos os degraus que havia descido e fui fazer o paseo superior. Também muito bonito. Nele você vai por cima do rio, tendo acesso a parte de cima das quedas. Esse é mais curto e praticamente plano. Muito tranquilo de ser feito, inclusive por portadores de mobilidade reduzida.
Para chegar a garganta do diabo é necessário pegar um trenzinho que leva até a metade do caminho. De lá, por passarelas suspensas sobre o rio, caminha-se mais um quilometro. Também é possível o acesso para pessoas com mobilidade reduzida. A garganta do diabo é a maior queda das cataratas. O ponto final é um mirante bem no alto da queda, onde o rio vira as cataratas. Muito bonito o local. Só essa vista já vale a viagem.
Após andar todo o dia, retornei de trem até a entrada do parque e voltei para cidade. Fiquei no parque das 08h até às 15:30h.
Fui para hostel curtir um pouco da piscina. A noite sai para jantar e caminhei até a parte da cidade “menos turística”. Um centro onde a população local faz compras. Voltei para o hostel e por volta das 23h já estava na cama.

Veja também

Roteiro de 4 dias em Foz do Iguaçu

Cataratas do Iguaçu lado brasileiro

Visita a Itaipu

Missões Jesuítas no Paraguai

Assunção Paraguai

15/03/2011 – Foz do Iguaçu / Ciudad del Este/PY

Na manhã seguinte segui para o lado brasileiro da tríplice fronteira, na cidade de Foz do Iguaçu e me hospedei no Hostel Paudimar Falls. Paguei R$3,50 no ônibus que me levou de Puerto Iguaçu para o Brasil. O ônibus parou na Imigração Argentina, onde entreguei a permissão. Não parou na imigração brasileira e os estrangeiros entraram todos “ilegais” no Brasil. O que percebi é que tanto a imigração paraguaia quanto a argentina são muito mais rigorosas e organizadas que a brasileira. O ônibus tem uma parada perto do Mcdonald´s de Foz, de onde basta caminhar três quadras até o Paudimar Falls centro. Deixei minha mochila, confirmei a reserva para duas noites e fui direto para o Paraguai.

Um dos meus objetivos nessa viagem era fazer compras no Paraguai e especialmente comprar uma câmera digital nova em Ciudad del Este, onde é possível encontrar preços até 3 vezes menores que no Brasil. O ônibus para no centro comercial de Ciudad del Este. Não é necessário fazer processo de entrada se vai apenas na zona franca fazer compras. Ciudad del Este é uma loucura, mas quem já foi fazer compras em São Paulo ou já entrou em algum shopping popular (camelódromo) em qualquer grande cidade, ou mesmo fez comprar no centro das grande capitais na época de natal, não vai achar nada de outro mundo. São muitas lojas com preços bastantes distintos para os mesmos produtos. Muitos vendedores quando você pergunta quanto custa responde com a pergunta “qual menor preço você já achou” e dão o preço cinco dólares a menos. Se você falar um preço muito baixo eles dizem, “você achou muito barato, compra lá”! Rodei o dia todo, fiquei com muito medo de comprar uma câmera recondicionado como sendo nova. Eles vendem eletrônicos recondicionados lá. Muitas lojas te dizem que é recondicionado e inclusive tem um adesivo na caixa do produto dizendo isso. Porém outras tantas vendem recondicionado dizendo que é novo. Acabei comprando em uma loja pequena em que o cara me de um desconto bom e acabei confiando nele. A dica é sempre testar o produto, pedir produtos em caixas lacradas e verificar os lacres. Ver se o número de série do produto bate com o da etiqueta da caixa, se a embalagem do manual também está lacrada, etc. Mas no final das contas, isso tudo dá pra ser refeito e podem sim te vender um produto recondicionado dizendo que é novo. Peguei o ônibus de volta para o Brasil, desci na Receita Federal e declarei a compra.

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Retornei para o Hostel. Conheci meus colegas de quarto. Dois brasileiros, um japonês e um chinês. Caras realmente boa gente.
Conheci mais alguns brasileiros que estavam em uma casa do outro lado da rua, que pertence ao Pauldimar e que é usada para disponibilizar quartos de casal. O preço é praticamente o mesmo e é uma mansão. O banheiro do quarto de lá é literalmente maior que todo o quarto que eu estava. Não dá nem para acreditar. Fica a dica. Quem for com um grupo maior ou em casal pergunte sobre essa opção, não vão se arrepender. É melhor que muito hotel 4 estrelas.
A noite fomos em uma pizzaria perto do hotel onde o rodízio saiu por R$13,50 e é muito bom! Outra dica valiosa.
Depois de algumas noites sem dormir direito, nessa eu dormi muito bem. A galera desse hostel era super educada. Tanto os brasileiros quanto os gringos. Além disso havia vários avisos sobre o dever de se respeitar o horário de silêncio, que é após a meia noite. O quarto do lado humilde do albergue é melhor do que o quarto do Che Lagarto, o banheiro é bom, só não gostei das divisórias que colocaram para várias pessoas poderem utilizar o mesmo banheiro ao mesmo tempo, uma no chuveiro, uma no vaso sanitário e outra na pia. Achei muito estranho, além de diminuir bastante o espaço, principalmente na área do vaso, onde uma pessoa mais alta ou gordinha vai ter problemas para se acomodar.

16/03/2011 – Hidrelétrica de Itaipu e Cataratas lado brasileiro

Depois de uma noite bem dormida, acordei cedo, tomei banho e fui tomar café da manhã. O café da manhã do Pauldimar é mais ou menos igual ao do Che Lagarto. Bom, dá pra armazenar bastante energia para os passeios, rs! Conversando com um funcionário do hostel, descobri que era melhor ir bem cedo para Itaipu, já que o último passeio lá é as 15:30h e de lá ir para as cataratas que ficam abertas até às 19h. Peguei um ônibus em frente ao McDonald´s que vai até Itaipu. Fiquei impressionado com a infraestrutura montada para atender os turistas. Gente de todo mundo visita Itaipu. Havia muito mais estrangeiros que brasileiros por lá. Muitos japoneses de terceira idade. Escolhi fazer o circuito especial, que visita a parte externa e interna da hidrelétrica. O preço era R$50,00, mas estudantes, professores e doadores de sangue com carteirinha pagam meia. O passeio inicia-se com um vídeo bem interessante sobre a história de Itaipu. Depois todos deixam seus pertences de mão em um armário, não é permitido entrar com bolsas ou mochilas. Todos tem que passar pelo detector de metais. Foz do Iguaçu está em uma região de tríplice fronteira. Muitos documentos dizem que ali estão presentes organizações terroristas e criminosas, então toda segurança é bem vinda. O passeio na parte externa é feito em um ônibus, parando nos principais pontos de interesse. Somos acompanhados por duas guias e as informações são repassadas em português e inglês. Tive muita sorte, pois duas das três comportas estavam abertas e isso só ocorre em 10% dos dias do ano. Depois visitamos a parte interior de Itaipu. Vale muito a pena. Quem gosta de engenharia e/ou história vai adorar. Todo o funcionamento da hidrelétrica é explicado, assim como detalhes de sua construção. Todo o passeio é muito bonito, tanto o externo quanto o interno. Quem puder pagar os R$50,00 ou R$25,00 (meia) não vai se arrepender. Um detalhe interessante de Itaipu é que lá é território brasileiro e paraguaio. Existe inclusive uma linha que mostra essa divisão no chão de Itaipu. Tudo lá é dividido entre brasileiros e paraguaios: o número de turbinas, a quantidade de trabalhadores, etc. Existe dois presidentes da empresa, um brasileiro e um paraguaio, etc.

O passeio terminou meio dia. Peguei um ônibus de volta ao terminal e de lá outro para as cataratas do lado Brasileiro, pagando apenas uma passagem. A entrada no Parque Nacional do Iguaçu para brasileiros custou R$22,00. Logo depois da portaria pega-se um ônibus que para nos principais pontos de acesso às atrações. É possível ir direto às passarelas principais, há inclusive elevador para as pessoas com mobilidade reduzida, entretanto não considero a melhor opção. Desci no ponto de início das trilhas e logo após alguns passos já se tem a primeira vista das cataratas. Do lado brasileiro a visão das cataratas é completa, porém de longe. Não digo que nosso lado é pior ou melhor que o argentino e sim que eles se completam. Recomendo visitar os dois lados. A trilha do lado brasileiro é bem menor e bem mais tranquila que do lado argentino. No fim chega-se àquelas passarelas que todos estamos acostumados a ver na TV que dão acesso a bem próximo das quedas principais e onde é impossível ir sem se molhar todo. Depois sobe-se de elevador até a parte de cima de uma das quedas. Pode-se chegar bem perto também do leito do rio.
Peguei o ônibus de volta a portaria do parque e de lá outro de volta ao hostel. Curti bastante a piscina nesse dia, fazia muito calor. Aproveitei bastante a hidromassagem da piscina, já que estava com as costas doloridas de tanto andar nos últimos dias. A noite voltamos a pizzaria da noite anterior.

Fui dormir mais de meia noite. Era o fim da minha viagem. Uma viagem curta mas bastante proveitosa e bem econômica. Contando tudo, menos o gasto com a câmera digital e a passagem de Foz para Belo Horizonte de avião (R$120), gastei menos de R$600,00. Deixo em anexo minha planilha de gastos para consultas e planejamentos de quem quiser se aventurar pelo Paraguai ou pelas cataratas, ou quem sabe pelos dois, como eu fiz. Clique no link abaixo para baixar a planilha.

Roteiro viagem Paraguai alternativo

Espero que gostem do relato, apesar de longo e detalhista.
Adorei o Paraguai e pretendo voltar outras vezes, para treinar o espanhol, para conhecer melhor Assunção e as outras cidades do interior que não conheci. Gostei bastante da parte da Argentina que conheci. Gostei muito de Foz do Iguaçu, uma cidade muito bonita e organizada, com gente bonita e educada. Fiquei surpreso, já que normalmente cidades fronteiriças são uma bagunça!

Um abraço e fico a disposição para dúvidas!

16 Comments

  1. Marcilio 02/05/2015
    • Rozembergue 26/05/2015
  2. Rozembergue 04/07/2015
  3. Felipe 23/02/2016
    • Rozembergue 24/02/2016
      • Marina Guimarães 16/09/2016
        • Mochilão Barato 18/09/2016
  4. Marcus Ferreira 08/12/2016
  5. Palloma 28/01/2017
    • Mochilão Barato 30/01/2017
      • Jonas Dantas 16/06/2017
        • Mochilão Barato 16/06/2017
          • Jonas Dantas 02/08/2017
          • Mochilão Barato 02/08/2017
  6. Carlos Oliveira 19/09/2017
    • Mochilão Barato 19/09/2017

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