Como é visitar o campo de concentração de Auschwitz

O campo de concentração de Auschwitz foi o cenário de um dos capítulos mais tristes da história da humanidade. Calcula-se que mais de 1,1 milhão de pessoas tenham sido assassinadas no maior campo de extermínio nazista, a maioria judeus, mas também ciganos, homossexuais, católicos, presos soviéticos e poloneses, quase sempre na câmara de gás. Atualmente o local é aberto à visitação para que possamos lembrar os erros do passado e não repeti-los no futuro.

Campo de concentração Auschwitz

Portões do campo de concentração com os dizeres “Arbeit mach frei”.

Campo de concentração de Auschwitz-Birkenau

“Arbeit macht frei” é uma frase em alemão que significa “o trabalho liberta”. A expressão é conhecida por ter sido colocada na entrada de vários campos de concentração do regime nazista durante a segunda guerra mundial, como em Auschwitz I, onde a inscrição foi feita por prisioneiros com habilidades em metalurgia e foi erigida por ordem dos nazistas em junho de 1940.

Auschwitz-Birkenau é o nome dado ao conjunto de campos de concentração localizados no sul da Polônia, próximo a Cracóvia. Foi o maior campo de extermínio dos nazistas e esteve em operação entre 1940 e 1945.

A Polônia historicamente sempre foi um país com tolerância religiosa. Judeus de várias partes do mundo encontravam abrigo em território polonês. Mas durante a 2ª guerra, com a invasão alemã a Polônia, os judeus foram perseguidos e expulsos do país. Os que ficaram foram enclausurados em guetos e os sobreviventes aos horrores desses locais foram deportados para campos de concentração como Auschwitz-Birkenau.

O complexo era composto por 48 campos, sendo os maiores Auschwitz I,  e Auschwitz III–Monowitz. Auschwitz I era o centro administrativo e campo principal. Lá cerca de 70 mil pessoas morreram, a maioria delas poloneses étnicos e prisioneiros soviéticos. Já Auschwitz II era um verdadeiro campo de extermínio onde ao menos 960 mil judeus, 75 mil poloneses e 19 mil ciganos foram mortos, a maioria nas câmaras de gás. Auschwitz III-Monowitz serviu como campo de trabalho forçado.

Em 1947, a Polônia criou um museu nas instalações de Auschwitz I e II. Desde  então mais de 30 milhões de pessoas de todo mundo visitaram o local. Em 2002, a UNESCO declarou oficialmente as ruínas como Patrimônio da Humanidade. Só em 2016 mais de 2 milhões de pessoas estiveram no antigo campo de concentração.

Alojamentos campo de concentração de Auschwitz

Alojamentos campo de concentração de Auschwitz I.

Como visitar Auschwitz e Birkenau

A cidade de Cracóvia é o principal ponto de partida para quem deseja visitar aos campos de concentração nazistas de Auschwitz e Birkenau. A forma mais fácil é contratando um tour guiado e organizado por alguma empresa de turismo. Nós realizamos o tour com a Discover Cracow, uma das maiores e mais conceituadas da Cracóvia. Em novembro de 2016 custava €37 (adulto), €30 (estudantes) e €20 (crianças). Eles buscam e deixam o turista no hotel e a viagem de cerca de 1:30h é realizada em vans. Há tours guiados em inglês e espanhol.

Talvez a visitação mais triste de toda Europa, não há como não se emocionar durante o tour e as explicações do guia. Em respeito as vítimas, achamos por bem fotografar apenas as áreas externas e somente o necessário para ilustrar essa matéria.

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Auschwitz I

O primeiro local visitado é Auschwitz I, campo principal e centro administrativo do complexo. Em abril de 1940, a área que era usada como alojamentos da artilharia do exército foi transformada em campo de concentração. Já em maio do mesmo ano chegaram os primeiros prisoneiros, que eram distinguidos por marcas especiais em suas roupas: os criminosos comuns usavam a marca verde, os presos políticos vermelha e os judeus amarela.

Judeus e prisioneiros soviéticos eram tratados da pior forma, mas todos tinham que trabalhar nas fábricas de armas associadas ao complexo de segunda a sábado, sendo os domingos reservados para limpeza e banho. As péssimas condições de trabalho associadas a pouca alimentação e falta de higiene levava a uma alta taxa de mortalidade entre os presos.

O bloco 11 era considerado “a prisão dentro da prisão”. Era destinado aos prisioneiros que quebravam as regras, tentavam escapar ou eram suspeitos de sabotagem, que eram trancados em “celas verticais” de 1,5 m² com mais quatro presos, passando toda a noite em pé e saindo no dia seguinte para os trabalhos forçados nas fábricas. Também existiam “celas da fome”, onde os aprisionados eram trancafiados para morrer de fome. Ainda as “celas escuras”, com apenas um pequeno espaço na parede para respirar e portas sólidas, onde os prisioneiros acabam sufocando à medida que o oxigênio ia rareando.

Intelectuais, políticos e outras pessoas perigosas eram fuziladas ou enforcadas no Muro da Morte, nos fundos do bloco 11. Hoje há um memorial às vítimas no local.

Campo Auschwitz

Muro da Execução: onde prisioneiros eram fuzilados.

Em Auschwitz I foram realizados experimentos que levaram a construção de uma câmara de gás que operou entre 1941 e 1942, sendo utilizada para matar cerca de 60 mil pessoas. Lá também foram realizados cruéis “experimentos” com prisioneiros, como a tentativa de esterilização feminina através de radiação e a tentativa de encontrar um vacina contra a tuberculose injetando bacilos vivos da doença diretamente nos pulmões de prisioneiros.

Durante a visita é possível conhecer alguns dos antigos alojamentos, ver exposições de fotos da época e conhecer os números e dados do campo. Também estão expostos pilhas de sapatos, óculos, malas e outros objetos que eram confiscados dos prisioneiros quando eles chegavam. Um dos pontos mais chocantes da visita está na sala onde estão toneladas de cabelos humanos que eram utilizados para o preenchimento de travesseiros pelos nazistas.

Auschwitz II–Birkenau

Bem próximo de Auschwitz I ficava o campo de extermínio Auschwitz II– Birkenau, designado como local para a “solução final dos judeus”, ou seja, o extermínio de todos os judeus da Europa. Entre o começo de 1942 e o fim de 1944, foram enviados de trem para esse campo judeus de toda a Europa ocupada, que viriam a serem executados nas câmaras de gás.

Os historiadores acreditam que em torno de 1,1 milhão, sendo 90% deles de judeus, morreram nas câmaras de gás de Auschwitz II–Birkenau. Os que não iam para as câmaras de gás acabavam morrendo de fome, doenças infecciosas, pelos trabalhos forçados, execuções individuais ou experiências médicas.

Chegou a abrigar até 100.000 prisioneiros em um mesmo momento e era cercado por arame farpado e cercas elétricas, utilizadas por muitos prisioneiros para cometer suicídio.

Os prisioneiros chegavam lá diretamente por uma linha de trem que terminava no interior do campo, após viagens de vários dias em condições desumanas, transportados amontoados em vagões de carga, sem receber alimentação e sem paradas para descanso e higiene pessoal. Muitos morriam durante a viagem. Os que sobreviviam, ao desembarcar eram “examinados” por médicos que tinham a função de dizer quem tinha condições de trabalhar.

Entrada Auschwitz-Birkerau

Portões de entrada de Auschwitz II – Birkerau

Aqueles que eram considerados aptos para o trabalho ganhavam mais alguns dias de vida e eram enviados para os campos de trabalho forçado. As crianças, idosos, doentes, deficientes e todos os que eram considerados inaptos ao trabalho eram levados diretamente para as câmeras de gás.

Para evitar o pânico os nazistas diziam que eles iriam tomar banho e deveriam se despir e abandonar todos os seus pertences. Os prisioneiros eram levados até as câmaras de gás com capacidade para até 800 pessoas. A morte era lenta e dolorosa, após a inalação demorava cerca de 20 minutos. Os corpos eram verificados em busca de dentes de ouro e objetos de valor escondidas na boca das vítimas. Em seguida eram queimados em fornos gigantes para eliminar qualquer vestígio do processo de extermínio.

Entre maio e julho de 1944, perto de 438.000 judeus da Hungria foram deportados para Auschwitz-Birkenau, sendo a maioria executada. Se a capacidade dos fornos não era suficiente, os nazistas queimavam os corpos em fogueiras ao ar livre.

Campo Auschwitz-Birkerau

Memorial às vítimas de Auschwitz-Birkerau.

Quando a guerra se aproximava do fim, prevendo a derrota, os nazistas começaram a destruir as câmaras de gás, crematórios e documentos, enquanto evacuavam prisioneiros. Os que não conseguiam andar foram deixados lá, sendo encontrados 7.650 prisioneiros pelos russos durante a liberação da Polônia.

Das câmaras de gás e dos crematórios de Aschuwitz-Birkenau só sobraram ruínas, já que antes de abandonarem o campo, os nazistas explodiram tudo na tentativa de apagar as provas de seus crimes brutais.

Em Aschuwitz-Birkenau foram mortos 25% dos judeus vítimas da 2ª guerra, além de 150 mil poloneses, 23 mil ciganos e 15 mil soviéticos. Durante a libertação pelas forças soviéticas, foram encontradas pilhas com cerca de 850 mil vestidos, 350 mil ternos, milhares de pares de sapatos e montanhas de roupas de crianças, além de oito toneladas de cabelos humanos.

Câmara de gás campo de concentração

Ruínas das câmaras de gás e dos crematórios de Aschuwitz-Birkenau.

Vale a pena visitar Auschwitz

Conhecer um local que foi cenário de tanto horror não é um programa que está nos planos de muitas das pessoas que viajam a lazer. Ouvimos de muitos outros viajantes que eles não iriam visitar Auschwitz pois sabiam que isso não iria lhes fazer bem. Algumas pessoas contavam que algum amigo ou parente passou mal durante a visita ou ficou dias sem dormir após passar pelo que foi o maior campo de extermínio nazista. De fato é uma visita chocante, ainda mais para quem nunca visitou um campo de concentração.

Os europeus costumam visitar o local com suas crianças e adolescentes. Muitas escolas promovem excursões até lá. Eles entendem que é preciso ter conhecimento dos erros do passado e de suas consequências, para que eles nunca mais voltem a serem cometidos.

A visita a Auschwitz certamente será triste e você provavelmente se emocionará em alguns momentos. Os visitantes devem se comportar de forma respeitosa. A maioria fica sempre em silêncio, ouvindo as explicações dos guias que são dadas em voz baixa. É possível perceber algumas pessoas chorando, como se estivessem participando de uma cerimônia fúnebre.

Em Auschwitz o visitante viaja ao passado através de uma estimulação multi-sensorial. Não é como ler em livros ou assistir um documentário. Está tudo ali a sua frente e em alguns momentos, em lapsos de pensamentos, você vai se sentir assistindo os fatos narrados pelo guia. Serão algumas horas tristes em sua viagem de férias que poderão mudar a sua forma de pensar, de agir e de ver o mundo ao seu redor.

Campo de concentração


Quanto custa: A entrada é gratuita, mas para entender melhor é necessário se juntar a uma visitação guiada.

Quem leva: Várias empresas de turismo de Cracóvia. Nós realizamos o tour com a Discover Cracow. Em novembro de 2016 custava €37 (adulto), €30 (estudantes) e €20 (crianças). Há tours guiados em inglês e espanhol.

Ir por conta própria: É possível, entretanto é um pouco trabalhoso. É preciso tomar um ônibus para Oświęcim de Cracóvi, são cerca 67 quilômetros e a viagem dura em média duas horas. De lá um ônibus local com partidas de horas em hora para o Museu de Auschwitz.


Roteiro de 20 dias pela Europa

Esse post faz parte do relato do Roteiro de 20 dias pela Europa.


O Mochilão Barato contou com o apoio do Departamento de Promoção e Turismo da Municipalidade da Cracóvia. Agradecemos a parceira e afirmamos que todas as experiências e opiniões relatadas no blog são independentes e exprimem a realidade vivenciada pelos blogueiros.


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6 Comments

  1. Adriana Mendonca 22/05/2017
  2. Josiane Bravo 23/05/2017
  3. Débora Resende 23/05/2017
  4. itamarjapa 23/05/2017
  5. Anônimo 25/06/2017

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