MOCHILANDO POR MACHU PICCHU, BOA PARTE DO PERU E UM POUCO DA BOLÍVIA POR 21 DIAS GASTANDO R$1306,00 – 2011

Quer fazer um mochilão pela Bolívia e Peru e conhecer Machu Picchu? Esse talvez seja o post mais detalhado que você irá encontrar sobre esse clássico mochilão! Não deixe de ler até o fim pois contamos tudo que você precisa saber para realizar essa viagem, além de todas as dicas para economizar!

Nos doze primeiros dias de viagem tive a companhia do meu amigo Geiser (colaborador do blog) e nossa amiga Marilene. Depois foram dez dias sozinho no Peru. No total eu gastei R$1306,00, contando tudo, tudo mesmo. O único detalhe é que minha volta foi de Lima para Campo Grande de avião, porém a passagem foi tirada por milhas, ou seja, sem custos. Geiser e Marilene voltaram de Cusco para Campo Grande, também de avião e com passagem comprada com milhas. Os gastos deles foram menores, ficando por volta de R$900,00.
Na época da viagem, julho de 2011, um dólar era comprado por 1,69 reais e valia 7 bolivianos e 2,7 soles (moeda do Peru). 

Disponibilizo a planilha de planejamento de gastos que utilizamos nessa viagem. Clique no link abaixo para fazer o download

Planejamento Machu Pichu 2011

Então vamos nessa!

1º Dia – 15/07/2011 – Campo Grande x Corumbá x Santa Cruz de La Sierra

Moramos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Daqui até a fronteira com a Bolívia são 420 km, relativamente perto. Pegamos ônibus da Empresa Andorinha às 06h30min, chegando em Corumbá às 13h. De lá um táxi até a fronteira com a Bolívia. 

Passaporte carimbado, trocamos alguns dólares por bolivianos ali na rua mesmo, pouca coisa, só para pequenos gastos no trem. De lá um táxi até a zona franca, onde almoçamos e de lá a pé até a estação de trem. 

Como já havia viajado no verdadeiro trem da morte ano passado, resolvemos optar pelo Ferrobus. Nesse trem são apenas dois vagões, faz a viagem em 14 horas, contra 22 do trem da morte e é super confortável, tem serviço de bordo incluso, filme, etc. A viagem foi super tranquilo, mais ou menos 8h da manhã chegamos em Santa Cruz de La Sierra.

2º dia – 16/07/2011 – Santa Cruz de La Sierra

Uma dica, chegando a Santa Cruz vá direto comprar sua passagem, pois todos que saem do trem fazem isso e logo elas se acabam. Como no ano passado, escolhemos a Copacabana M.E.M, ônibus cama 3 fileiras. São ônibus que não são comuns aqui no Brasil, seriam equivalentes aos nossos leitos, porém ao invés de quatro fileiras de poltronas, possuem apenas três, ou seja, muito mais espaço para o passageiro.  Deixamos nossas mochilas lá na empresa mesmo e fomos para o centro da cidade. 

O centro de Santa Cruz é bem bonito, limpo e bem cuidado. Visitamos a Igreja da Praça das Armas, incluindo a torre com sua bela vista. Andamos um pouco pelo centro e fomos almoçar no Burger King. Voltamos para o centro, andamos mais um pouco, comemos um doce e voltamos para o terminal bi-modal. O terminal tem esse nome pois em um só terminal partem e chegam os trens e ônibus que atendem a cidade.  Nosso ônibus sairia às 16h. Pegamos nossas mochilas e embarcamos. 

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O ônibus realmente era bom e diferentemente do ano anterior realmente tinha calefação, que foi fundamental para suportar a noite fria nos Andes. Conhecemos uma senhora boliviana logo na entrada do ônibus e ficamos conversando com ela. Logo que o ônibus saiu da plataforma ela entrou em desespero porque se lembrou de que havia esquecido uma bolsa na porta do ônibus. Ela pediu ao motorista para esperar um pouco, enquanto ela voltava lá para buscar a bolsa e ele falou que não podia, que tinha que partir. Todos acharam uma sacanagem, pois ainda estávamos dentro do terminal. Ele então falou para ela que iria esperar em uma rua, logo à frente e que ela deveria ir de táxi até lá, disse ainda que não adiantava ela voltar porque alguém já deveria ter levado a bolsa. Ela desceu e deixou todas suas coisas no ônibus. O problema é que o motorista não parou para esperar e seguiu viagem, todos já estávamos preocupados quando após uns 30 minutos surge a senhora em um táxi ao lado do ônibus, gritando todos os palavrões possíveis e mandando ele parar. O pior é que o motorista ainda demorou alguns minutos para parar, muita sacanagem. Daí ela jogou várias pragas no motorista, foi bom para aprender jogar praga em espanhol, rs! Os outros bolivianos até pediram para ela não jogar as pragas, porque estávamos viajando com eles, para deixar para jogá-las quando chegássemos em La Paz, rs! O bom foi que ela conseguiu recuperar sua bolsa, alguém havia guardado para ela. O ruim foi que gastou uma nota com o táxi. 

O ônibus parou para a janta no mesmo lugar do ano passado, em um restaurante que para quem não tem estomago forte é impossível de comer. Como já sabíamos disso, havíamos comprado biscoitos e chocolates e jantamos isso mesmo. A noite fez bastante frio, mas a calefação (aquecimento) ajudou bem e nem sentimos frio, mas às janelas do ônibus estavam congeladas. Então a dica é não economizar, vá no ônibus mais caro, sem calefação não dá.

3º e 4º dia – 17 e 18/07/2011 – La Paz

Chegamos em La Paz por volta das 08h da manhã. De táxi fomos direto ao Hotel Sagarnaga. Pediram um tempo para terminar a arrumação do quarto e logo nos deixaram entrar, mesmo não sendo ainda o horário do check-in. É um hotel econômico, estava mais barato que o Hostel Copacabana que ficamos no ano passado. Fica na Calle Sagarnaga, perto da maioria das agências e da Calle Llampu. Gostei bastante do hotel, tem elevador, TV no quarto, internet Wi-fi grátis, bom café da manhã, limpo e tem bom atendimento. Recomendo!

Como visitamos La Paz no ano passado, dessa vez não fizemos nenhum passeio, apenas curtimos a cidade e fizemos compras.
A dica para quem estiver por lá em um domingo é visitar a feira de artesanato que funciona na Avenida Principal, 18 de Julho se não me engano, todos os domingos à tarde. É legal para interagir com a cultura local. La Paz é uma cidade tranquila, tem sua beleza. O que mais me encanta é a geografia da cidade, já que está inserta em um vale, literalmente um buraco no altiplano boliviano. Fica entre 3400 e 3600 metros acima do nível do mar e a cidade de El Alto, já fora do vale fica a 4000 metros do nível do mar. Muito alto mesmo, porém dessa vez ninguém sentiu os efeitos da altitude e olha que não tomamos nenhum remédio, somente muito Chá de Coca. É claro andar, subir escada ou mesmo as ruas inclinadas da cidade é muito mais cansativo que ao nível do mar. Mas felizmente nesse ano passamos sem dor de cabeça, tontura, etc. 

Ficamos dois dias completos na cidade e na manhã do terceiro dia seguimos em direção ao Peru. Se gasta em média 20 Bolivianos em cada refeição, é claro que dá pra gastar bem menos. Para quem ainda não estiver adaptado a comida boliviano, existem algumas lojas do Burger King no centro. No segundo dia à noite fomos ao cinema no Shopping da Cidade. Eu nem sabia que existia Shopping Center lá. Foi uma surpresa. Fica na zona sul da cidade, um pouco distante do centro. Na ida pagamos 15 Bolivianos, por quase meia hora de viagem e na volta 25, já que era mais de meia noite. Nessa região estão as casas e apartamentos da Classe A de La Paz, da população rica. É um choque ver todos aqueles prédios modernos e bonitos em uma cidade onde existe tanta pobreza. E mais, 90% das pessoas que frequentam esse shopping são brancas, de ascendência europeia. Para quem está acostumado em ver a população indígena da Bolívia, ver toda aquela gente branca e bonita foi uma surpresa. O Shopping é grande e cheio de lojas de marcas famosas. O cinema é muito bom, aproveitamos para assistir Harry Potter. 

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5º – 19/07/2011 – La Paz x Copacabana x Puno x Cusco

Saímos por volta das 08h em direção a Copacabana em um ônibus turístico que nos custou 30 BOB. O ônibus era bom e passou em dois ou três hotéis para pegar outros turistas e logo estava na estrada para La Paz. Recomendo a todos optarem pelo ônibus turístico, já que as vans e micros que vão para Copacabana e saem do cemitério não tem nenhum conforto, além dos motoristas dirigirem feito uns doidos e o pior, você vai viajar com moradores locais, nem sempre muito cheirosos ::hein:
Chegamos a Copacabana às 11h e a nossa amiga que não conhecia a Isla del Sol desistiu de ir e preferiu ir direito para Puno. Como eu e o Geiser visitamos a Ilha ano passado, não nos importamos.

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Compramos passagem pela mesma empresa de Copacabana para Puno, com saída 13h. Viagem tranquila, imigração super tranquila para dar saída da Bolívia e entrada no Peru  e chegamos a Puno mais ou menos 15h. Importante lembrar que no Peru o fuso é de uma hora a menos que na Bolívia e duas a menos em relação ao horário de Brasília. Fomos direto comprar passagem para Cusco. Escolhemos a empresa Tour Peru, 30 soles em ônibus confortável com calefação, saindo às 21h30min. A própria empresa organiza tour pelas Ilhas Flutuantes, compramos com eles mesmos, deixamos as mochilas lá também e fomos para o Passeio. 

As Ilhas flutuantes Uros são muito bonitas e interessantes. É legal também conhecer a cultura do local, porém fica claro que tudo ali é para turista ver. Acredito que se não houvesse as visitas turísticas não teria tanta gente morando lá e sim uma população bem mais reduzida. Faz bastante frio quando o sol se põe, não deixe de levar agasalho. O artesanato que vendem lá não vai ser encontrado em Cusco, então se gostar de alguma coisa pechinche e compre. Ofereça a metade do que eles te pedirem, após chorar um pouco eles vão fazer pela metade do preço. 

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Voltamos para Puno e a Van do passeio nos deixou no centro. O centro histórico é muito bonito, vale a pena conhecer. Aproveitamos para fazer nossa primeira refeição em solo Peruano e começar a conhecer a rica cozinha peruana. Com 15 soles come-se muito bem, com tudo incluído. No Peru é só falar que é brasileiro que vão te dar desconto ou incluir alguma coisa a mais nos tradicionais menus turísticos. Nesse dia por 15 soles comemos entrada (salada), pranto principal, sobremesa, refrigerante e pisco sour (a bebida alcoólica típica do Peru) de brinde e tudo estava uma delícia. 

Voltamos para o terminal e embarcamos para Cusco. Ônibus bom, confortável, com a opção de Bus Cama no primeiro piso, que nesse trecho acho desnecessário, já que a viagem é relativamente curta. Saímos às 21h30min e chegamos em Cusco por volta das 04h da manhã.

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6º – 9º dias – 20 a 23/07/2011 – Cusco

Deixamos o primeiro dia para conhecer a cidade e comprar os passeios. Compramos com alguma antecedência, aqui mesmo do Brasil, as passagens do trem Ollantaytambo x Águas Calientes x Ollantaytambo, por cerca de 33 dólares cada trecho (http://www.perurail.com/en/). Caso você deixe para comprar em Cusco, corre o risco de só achar passagem nos trens mais caros. Em Cusco só faltava fechar os passeios para o Vale Sagrado, Moras Moray, City Tour e comprar os ingressos de Machu Picchu. Dá pra reservar o ingresso para Machu Picchu pelo site ainda aqui no Brasil e pagar e retirar em Cusco. Se for passar alguns dias por lá antes de ir para Machu Picchu, faça como nós, no primeiro dia compre logo os ingressos ou então já os garanta antes de partir para a viagem através do site http://www.machupicchu.gob.pe/

A carteirinha de estudante ISIC é aceita, independente da idade. Já para a compra do Boleto Turístico (http://cosituc.gob.pe/), há limite de idade, 26 anos incompletos. Eu apesar de ser estudante na época e ter ISIC, tive que pagar inteira, por ter mais de 26 anos incompletos.
Os passeios City Tour, Vale Sagrado e Maras Moray, na maioria das vezes independentemente de que agência você contratou, você irá junto com pessoas de outras agências. É uma confusão só. E outra coisa, não acredite se disserem que vão te buscar no Hotel, é mentira! Pelo menos comigo não foi assim. A saída é em uma praça próxima a Plaza de Armas, o máximo que vão fazer é mandar alguém a pé te buscar para te levar a pé até essa praça. 
Então, por esse e muitos outros motivos, tente ficar bem no centro mesmo, bem próximo a Plaza de Armas, vai facilitar muito sua vida. 

Ficamos três dias em Cusco antes de conhecer Machu Picchu.

No primeiro como disse, contratamos os passeios, compramos as entradas de Machu Picchu e andamos pela cidade.

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No segundo fizemos o City Tour. Muito legal o passeio, não deixe de fazer. Apesar da bagunça, já que só tem saídas na parte da tarde e todas as agências vão ao mesmo tempo, lotados as atrações. Há muita coisa interessante para se ver e vale muito a pena, então seria melhor se as agências organizassem esse passeio em diversos horários para não lotar os sítios visitados. Se tiver tempo e disposição, pode fazer as mesmas visitas por conta própria, tendo mais tempo e podendo ir em horário diferentes do City tour, pegando tudo mais vazio, mas perderia as explicações do guia, ou então teria que contratar um em cada atração. 


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No terceiro dia eu fui sozinho a Maras Moray. Passeio muito interessante também, além de ser bem barato. 


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No quarto dia foi a vez do Vale Sagrado, ficando em Ollamtaytambo para pegar o Trem para Águas Calientes. Todos os locais visitados são lindos e imperdíveis. Conheci gente que não fez nenhum dos tours ao redor de Cusco antes de conhecer Machu Picchu. Acredito esse ser um erro muito grande, pois se perde boa parte do que a região tem a oferecer. Na verdade para se entender a Civilização Inca, ou pelo entender um pouco, deve-se primeiro visitar Tiuanaco na Bolívia, depois o Lago Titicaca, ambos com ruínas pré-incas, e só depois a região de Cusco, com todas as suas Ruínas e então Machu Picchu, pois assim se tem uma visão geral do que era o Império Inca. Se alguém me dissesse, por exemplo, que só tem três ou quatro dias para viajar, que irá visitar somente Cusco e Machu Picchu e não vai ter tempo para fazer os demais passeios, recomendaria escolher outro destino e adiar a viagem para Machu Picchu. Acredito ser necessário pelo menos três dias em Cusco antes de partir para Machu Picchu. 


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Optamos por finalizar o passeio do vale sagrado em Ollantaytambo e lá pegar o trem até Águas Calientes. Pegamos o do horário das 19h, chegando a Águas Calientes 01h30min depois. Fomos para o Hotel descansar um pouco e depois demos uma volta, comemos uma pizza e voltamos para o hotel para descansar para o grande e esperado dia.
A dica para comer bem e pagar pouco em Águas Calientes é chorar, rs! Peça o cardápio, pergunte sobre o menu do dia, diga que vai ver em outro restaurante e depois volta, que é brasileiro, certamente vão te oferecer descontos e brindes podendo chegar até a metade do preço do valor pedido inicialmente e cobrado dos turistas europeus, asiáticos e americanos. Tem uma rua já um pouco afastada da praça principal, no caminho para as águas termais que tem muitos restaurantes, eles literalmente vão brigar entre eles para conseguir fazer você entrar no restaurante deles, então, quem der o maior desconto leva o cliente!

10º dia – 24/07/2011 – Machu Picchu

Acordamos às 06h, tomamos café da manhã e fomos para fila do ônibus para subir até a cidadela. A passagem custou 15 dólares ida e volta. Compramos apenas ida. Com alguns minutos chegamos à portaria. Uma grande fila para entrar, mas logo estávamos dentro da cidade. 

Não há como descrever o que se sente. Só estando lá. Machu Picchu é muito mais linda ao vivo do que em qualquer foto. É incrível. As outras ruínas também são, principalmente Ollantaytambo, mas Machu Picchu é especial. O fato dos espanhóis não terem chegado lá e 60% do que se vê hoje ser original da época dos Incas, associado ao relevo onde ela está encravada é o que mais impressiona. Se chegar cedo como eu, logo no início pegue um caminho à esquerda e suba para tirar a foto tradicional, é que depois que a cidade enche de turistas que vem desde Cusco de trem, vai ficar difícil conseguir uma foto onde não apareçam diversas outras pessoas. Chegando cedo com um pouco de paciência consegue-se várias boas fotos onde só você e seus amigos aparecem. Depois desça para a cidade em si. Não deixe de se energizar na pedra Intihuatana (“onde se amarra o Sol”), um dos objetos mais estudados de Machu Picchu, que foi relacionado com uma série de lugares considerados sagrados a partir do qual se estabelecem claros alinhamentos entre acontecimentos astronômicos e as montanhas circundantes. Antes as pessoas se sentavam nela, há inclusive um trono que o Inka devia se sentar. Hoje é proibido inclusive tocá-la. Segundo os guias, basta que se aproxime a mão da pedra para receber a energia do sol armazenada nela. 

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Andamos bastante pela cidade, tiramos muitas fotos, sentamos em pedras e admiramos a visão que não se resume a Machu Picchu, mas também a linda montanha Wanna Picchu, além de outras, incluindo nevados. Posso garantir que você sai de Machu Picchu mudado. Algo dentro de você se transforma. Saí de lá com uma tremenda leveza de espírito. Com certeza foi um, se não o lugar, mais incrível que já visitei. 

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Para voltar a Águas Calientes resolvemos caminhar. Descemos os infinitos degraus em cerca de 1 hora. Para quem está acostumar a caminhar e fazer algum esporte é tranquilo. Não recomendaria subir, pois chegar a Machu Picchu cansado não seria algo legal. Nem mesmo o pessoal que faz a trilha Inca faz isso. Eles dormem para no outro dia cedo, descansados, alcançarem Macchu Picchu.

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À tarde fomos as Águas termais, são boas, mas só recomendaria se você tiver que ficar em Águas Calientes por mais algumas horas ou até o outro dia de manhã, como foi o nosso caso. Senão é melhor voltar para Cusco. Disseram que elas eram muito boas, porém depois das chuvas do verão de 2010/2011 tudo foi destruído e ao reconstruírem não ficou como era antes. 
A noite mais uma vez choramos bastante e conseguimos um bom desconto em nossa janta. Dormimos bem cedo depois de um dia maravilhoso, porém cansativo. Certamente foi o auge da nossa viagem!


11º dia – 25/07/2011 – Cusco


Saímos cedo de Águas Calientes. Chegando a Ollantaytambo, conseguimos um táxi em um carro novo por 60 Soles a viagem e em uma hora estávamos em Cusco. Nos hospedamos dessa vez no Hostal Santa Maria, bem do lado da Plaza de Armas. Tiramos o dia para bater perna ali por perto mesmo e comprar algumas lembrancinhas. No outro dia pela manhã, meus amigos retornariam de Cusco mesmo para o Brasil e eu continuaria a viajar sozinho, seguindo naquela mesma manhã para Arequipa. 

A vontade era ficar mais tempo em Cusco, cidade maravilhosa. Ainda deixei de fazer alguns passeios e muita coisa para trás para conhecer. Está aí um motivo para um dia voltar lá e quem sabe visitar Machu Picchu mais uma vez.

12º – 16º dia – 26 a 30/07/2011 – Arequipa

Segui bem cedo com meus amigos para o aeroporto e após eles embarcarem fui para o terminal de ônibus de Cusco. Havia comprado passagem para Arequipa em uma Empresa Econômica no piso superior. A maioria dos ônibus do Peru são de dois pisos. No inferior normalmente fica a categoria Bus Cama, com poltronas confortáveis, largas e que reclinam bem. Como eu achei a passagens para Arequipa bem mais caras do que imaginava ser, acabei optando pelo andar superior, onde ficam as poltronas normais. O ônibus saiu às 08h. Era relativamente novo. Ao embarcar o motorista me ofereceu a opção de viajar por mais 10 soles no andar inferior, já que ele estava vazio. Como achei o ônibus bom, imaginei que não teria necessidade. Não demorou muito para me arrepender disso. É que no piso superior, que estava lotado, viajam os Peruanos mais pobres, mais simples. E como por lá eles dizem, a “gente da selva” não costuma muito tomar banho. Então, além do sobe e desce de passageiros a toda hora, entrada de ambulantes para vender os mais diversos tipos de mercadoria, tive que aguentar o cheiro típico da “gente da Selva” e a música dos diversos celulares que eles insistem em ligar ao mesmo tempo, além da música ambiente do ônibus, horrível e alta durante toda a viagem. Outro detalhe durante as 12 horas de viagem, não há paradas para refeição. Então levem comida ou vão ter que se arriscar a comer a que os ambulantes entram para vender. Além disso, paguem um pouco mais e viagem com mais conforto na parte inferior, Bus Cama, que foi o que fiz na viagem de Arequipa para Lima.
Cheguei a Arequipa já por volta de 18h. Não havia reservado lugar para ficar. Pedi o taxista que me deixasse próximo a plaza de armas e fui procurar um hostel. Em Arequipa os Hotéis são um pouco caros para o orçamento de um mochileiro, ainda mais estando sozinho. Então fui em busca de vaga em um hostel, em quarto coletivo. Logo achei um hostel que atente os viajantes franceses chamado El Misti. É até legalzinho, muito barato por sinal, 15 soles em um quarto para quatro pessoas. O problema é o banheiro. São duas privadas para o uso de todos os hóspedes e quatro duchas de onde saem pingos de água, rs! A limpeza também não é das melhores. Além de o banheiro ser unissex. Resolvi ficar aquela noite e na manhã seguinte procurar algo melhor. 

Arequipa é uma cidade linda. Muitos vão lá apenas para conhecer o Cañon del Colca. Um grave erro. A cidade está cercada pelo vulcão El Misti e alguns nevado, podendo ser visto de qualquer parte da cidade. Os casarões coloniais, as ruas da cidade, praças, são muito bem cuidados. Há muitos turistas, porém a cidade não vive só disto, como Cusco. Lá você não é abordado a todo o momento por pessoas te oferecendo passeios ou tentado te vender alguma coisa. A cidade não está em altitude elevada e o clima não é tão seco como em Cusco. Faz bem menos frio também. Simplesmente adorei Arequipa e pretendo um dia voltar para explorá-la melhor. 

No outro dia acabei achando um hostel bem simples, bem próximo de tudo também, com quartos individuais, porém com banheiro coletivo, por 20 soles, incluso o café da manhã e internet wi-fi no quarto. O meu quarto ficava no terraço, com uma vista linda do vulcão. Apesar dos banheiros serem coletivos, há vários e o que ficava bem perto do meu quarto tinha uma boa estrutura e um bom chuveiro. Recomendo, o nome é Hostal La Reyna (http://www.andeantravelweb.com/peru/hotels/arequipa/reyna.html).

Algumas fotos de Arequipa:

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No outro dia pela manhã parti para o passeio tradicional ao Cânion del Colca, sem trekking. Fui com um grupo onde só havia Peruanos. Era feriado de Independência e eles aproveitaram para conhecer o Cânion. O primeiro dia é composto basicamente pelo deslocamento até Chivay, povoado próximo ao Cânion. No caminho há várias paradas para fotos, chegando-se perto de 5000 metros de altitude. Tivemos alguns problemas, já que a agência “esqueceu-se” de reservar nossos hotéis. Chegando a Chivay circulamos por cerca de duas horas até todos serem hospedados. Como havia pago para ficar em um quarto individual, como um peruano também havia feito, tiveram que arrumar um quarto individual para mim e outro para ele. Chegaram a pedir para que ficássemos juntos, porém negamos. O detalhe é que como Chivay estava lotada por causa do feriado, só conseguiram vaga em um hotel de alto padrão, foi a melhor hospedagem de toda viagem. Quarto amplo, cama de casal, banheiro impecável. Paguei 85 soles pelo passeio, com a hospedagem inclusa e pelo que levantamos só a diária desse hotel saia por 100 soles, então levaram prejuízo por serem desorganizados. 

Fomos as Águas termais, assim como as de Cusco uma decepção. O problema é que não há o que fazer em Chivay, então talvez seja mesmo uma boa ir para passar o tempo. Como houve todo esse contratempo, a noite cada um foi jantar por conta própria, até porque os 20 soles cobrados no restaurante que agência levava era absurdamente caro para os Peruanos que costumavam comer por três soles em Arequipa. 

No dia seguinte, logo pela manhã seguimos para o Cânion. A agência achou uns turistas perdidos por lá e como havia vaga na Van resolveu cobrar alguns soles deles para tentar diminuir o prejuízo e levá-los junto conosco para o Cânion. O problema é que quando chegamos ao Hotel que eles estavam eles ainda estavam dormindo, tivemos que esperar alguns minutos até eles se levantarem e eles ainda iam tomar café da manhã, aí a galera peruana se revoltou e o guia correu para buscá-los. Para ver os Condores é recomendado chegar bem cedo ao Cânion. Como atrasamos achamos que não iriamos ver nenhum. Porém para nossa sorte eles também estavam atrasados, rs! Quando chegamos lá eles ainda não haviam saído. Começaram a voar uns 20 minutos depois. Realmente é impressionante. São enormes e o voo deles é lindo. 

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Logo em seguida voltamos, com algumas paradas para fotos, almoçamos em Chivay e retornamos direto para Arequipa. O passeio é interessante, mas para quem já foi ao Deserto de Sal, visitou o Titicaca, Cusco e região e Machu Picchu, pode acabar como eu achando tudo um pouco sem graça. Eu recomendaria para aqueles que curtem passeios calmos. Para os mais dispostos, recomendaria o trekking, que era o que eu devia ter feito. No trekking você sai de Arequipa às 3h da manhã e vai direto para o Cânion, passa o dia todo descendo. Dorme lá em baixo e no outro dia passa o dia inteiro subindo. Com certeza é bem mais interessante que o passeio tradicional que eu acabei fazendo. 

Passei mais um dia em Arequipa e no fim da tarde segui para Lima. Comprei passagem de ônibus na empresa Sanchez, Bus Cama, por 90 soles. Algumas empresas mais conhecidas cobram isso pelo semi-cama, no segundo piso. Recomendo essa empresa. A janta está inclusa e o terminal final dela é bem próximo de Miraflores. Às poltronas são confortáveis e o ônibus praticamente não para. Passaram bons filmes com volume moderado e quando chegou perto das 11h desligaram. Não tive nenhum contratempo nessa viagem. 

17º – 22º dia – 31/07 a 05/08/2011 – Lima

Cheguei em Lima às 07h da manhã. Para ir do terminal da empresa até Miraflores peguei um Táxi. Tinha reserva no Hostel Pirwa Bed & Breakfast Inclan. Cheguei antes do horário de check–in mas me deixaram entrar sem problemas. O hostel é muito bom e agradável. Não é pra galera que gosta de fazer festa e bagunça, isso não existe lá. É bem limpo e os funcionários são atenciosos e educados. A internet funciona bem em qualquer lugar e o café da manhã é bom. Fica bem próximo do centro de Miraflores, porém um pouco distante da praia e do Shopping Lacormar, porém nada que uns 20 minutos de caminhada não resolva. 

Lima é uma megalópole. É bem parecida com São Paulo. Transito intenso, muitos prédios, muitos carros luxuosos, outros caindo aos pedaços, rs! Miraflores é um bairro encantador. Muito seguro. Existe uma espécie de Guarda Municipal de Miraflores que está o tempo todo na rua, inclusive durante as madrugadas. Realmente existem muitas flores no bairro para serem “miradas”. São diversos jardins muito bem cuidados. A região da orla é muito linda também. Há muitos turistas, a maioria europeus, mas encontrei com alguns brasileiros por lá também. Vi muitos brasileiros que estavam lá a trabalho.

Fiquei cinco dias em Lima. Fui ao centro, ao circuito das águas, a diversos shoppings, ao cinema, ao museu do ouro, e andei muito, muito em Miraflores. Voltaria sem sombra de dúvidas à cidade. Para quem gosta de grandes cidades recomendo, para quem não gosta, talvez um dia ou dois seja o suficiente. Os Peruanos do interior tem muito medo de Lima, dizem para tomar muito cuidado, alguns chegam a dizer para nem ir. O povo de Lima que vive em Miraflores diz para tomar cuidado no Centro, pois é muito perigoso. Eu não vi nenhum perigo em Lima e tampouco no centro. Andei por toda a cidade de ônibus e Van, que apesar de desconfortáveis, passam a todo o momento e são muito baratos, um sol. Basta perguntar se passa em tal lugar e se não passar eles vão logo dizer qual passa. Só utilizei o táxi quando cheguei e quando fui para o aeroporto, por causa da Mochila. 

Seguem algumas fotos de Lima:

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No meu último dia em Lima contratei um táxi no próprio hostel por ser um pouco mais barato e também por ser de confiança, já que é o mesmo que sempre atende aos turistas que lá se hospedam. O aeroporto de Lima e muito bonito e organizado. Era o fim de uma grande viagem, 22 dias que com certeza não vou me esquecer. Vivi muitas experiências boas, conheci muitos lugares lindos que não poderia conhecer aqui no Brasil. Convivi com outra realidade. Conheci várias culturas diferentes dentro de um mesmo país. A culinária também muda a cada cidade. Cultura e culinária Peruana são conteúdos para um bom post que depois farei. Recomendo muito viajar ao Peru, conhecer os lugares que conheci. Quero voltar e conhecer o Norte do País e também o litoral. 

Deixo disponível minha planilha de viagem com o resumo dos meus gastos. Foram R$ 1306,54, excluindo as compras de roupas, artesanato e presentes. Além disso, gastei R$120,00 de taxas da passagem de Lima para Campo Grande que tirei utilizando milhas da TAM. Meus amigos que foram só até Cusco gastaram cerca de R$900,00, voltando de Cusco via TAM por milhas. Vale lembrar que, quando fomos, pegamos o dólar a R$1,69, preço de compra. A cotação oficial na época estava em torno de R$1,60. Com a disparada do dólar com certeza as coisas vão ficar um pouco mais caras, porém com certeza dá pra gastar menos do que gastei se optar por hospedagem em hosteis mais econômicos e se alimentar em restaurantes mais simples, além de dos deslocamentos que podem ser feitos nas empresas com preços ainda mais em conta do que as que fiz. 

Espero que tenham gostado!

Fico a disposição para qualquer tipo de dúvidas. 

Abraços e boas trips!

25 Comments

  1. Geiser Barreto via Facebook 13/08/2014
    • Rozembergue 22/08/2014
  2. Lícia Magna via Facebook 14/08/2014
    • Rozembergue 22/08/2014
  3. Lícia Magna via Facebook 14/08/2014
    • Rozembergue 22/08/2014
  4. Amanda Ramalho 17/01/2015
    • Rozembergue 17/01/2015
  5. Kelly Oliveira 25/03/2015
    • Rozembergue 16/04/2015
  6. ricardo 03/01/2016
    • ricardo 03/01/2016
    • Rozembergue 04/01/2016
  7. ricardo 03/01/2016
  8. Ssantos Fabio 21/10/2016
    • Mochilão Barato 22/10/2016
  9. Victor Rondan 27/05/2017
  10. juan luis 09/06/2017

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